segunda-feira, 27 de junho de 2011

infarto e enfarte

Segundo o Dicionário de Dificuldades da Língua Portuguesa, de Domingos Paschoal Cegalla, “enfarte, enfarto e infarto são vocábulos cognatos de farto (do lat. fartus ou farctus, cheio, saciado, atulhado), do qual derivam os verbos fartar (saciar, atulhar) e enfartar (encher de comida, fartar, entupir, obstruir). As três variantes são consideradas corretas. Enfarte e enfarto são formas da linguagem popular; infarto, provavelmente adaptação do inglês infarct e do francês infarctus, é forma adotada na terminologia médica".

Trocando em miúdos, o termo médico é INFARTO. O infarto pode ser de vários órgãos, sendo o mais comum o do miocárdio (coração). Mas existem também o pulmonar, o cerebral (sinônimo de derrame cerebral), o ósseo, o mesentérico (intestino). É qualquer área com hemorragia e necrose causadas por obstrução da circulação (ou seja, um entupimento de veias ou artérias).

O uso de ENFARTE é o de ingurgitamento, enchimento, inchação, entupimento. No entanto, assim como uma das significações de INFARTO, se refere também a “tornar farto, encher de comida, empanturramento”.

No Vocabulário Ortográfico da Língua Portuguesa (Volp), encontram-se todas essas formas: enfartar e infartar; enfarte e enfarto; infarte e infarto. No dia a dia, no entanto, as ocorrências de infarte e enfarto não são comuns.

quarta-feira, 15 de junho de 2011

hífen em PORTA e em PARA

Apesar de o paraquedas/paraquedista/paraquedismo terem perdido o hífen, nada mudou para o para-raios, o para-choque, o para-brisa, o para-lama, o para-chuva e os outros “para-alguma coisa”.
E apesar de o autorretrato ter perdido o hífen e se tornado essa palavra horrenda, o porta-retrato continua com o seu, assim como o porta-malas, o porta-luvas, o porta-aviões, o porta-bandeira, o porta-joias, o porta-voz, o porta-copos, o porta-níqueis e seus primos todos.


bom-dia, boa-tarde e boa-noite têm hífen?

Depende do contexto. Quando são simplesmente usados para cumprimentar ou para falar sobre o dia/a tarde/a noite, não há hífen.
Exemplos: Bom dia, papai. Boa tarde a todos. Boa noite! Hoje está sendo um bom dia, não está?
Porém, se usados como substantivo masculino que signifique “um cumprimento” (às vezes também precedidos pelo artigo “um”), aí entra sim o hífen.
Exemplos: O professor disse a todos um bom-dia. A criança nos beijou e deu boa-noite. Abriu um sorriso de boa-tarde. Seu bom-dia foi bem estranho naquela manhã. Desconfiei daquele boa-noite.